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Blog · 22 de outubro de 2026

Imagem recusada na KDP: formatos aceitos e limite de tamanho

Por Hanami · 22 de outubro de 2026

Sua capa foi recusada e você não sabe por quê? Veja como identificar formato, resolução, perfil de cor e transparência antes de enviar.

O arquivo abre perfeitamente no seu computador, a capa parece nítida na tela e, mesmo assim, o painel devolve uma recusa seca, sem dizer onde está o problema. É o tipo de erro que leva o autor a reenviar o mesmo arquivo três vezes esperando resultado diferente. A imagem recusada KDP quase sempre tem uma causa objetiva, e essa causa pode ser identificada antes do envio, com as ferramentas que você já tem instaladas.

O foco aqui é o diagnóstico da imagem: por que ela não passa e o que fazer com o arquivo. A conferência geral do projeto, do texto à ficha do livro, é outro assunto e merece tratamento separado.

Quatro suspeitos, nesta ordem

Quando a plataforma recusa uma imagem, a causa costuma estar em um destes quatro pontos. Vale investigar na sequência, porque o primeiro item invalida os demais: não adianta ajustar cor de um arquivo que já está no formato errado.

  1. Formato do arquivo. Extensão e conteúdo precisam coincidir com o que a plataforma aceita.
  2. Dimensão e resolução. Poucos pixels, seja por origem fraca, seja por exportação em tamanho reduzido.
  3. Perfil de cor e profundidade. Arquivo em CMYK, em 16 bits por canal ou em escala de cinza onde se espera RGB.
  4. Transparência e camadas. PNG com canal alfa, TIFF com camadas abertas, elementos soltos sobre fundo vazio.

Há ainda uma quinta possibilidade, menos glamourosa: arquivo corrompido ou truncado no meio de uma cópia. Se a imagem abre com falha em outro programa, comece por aí.

Formatos aceitos e os que apenas parecem aceitos

Para a capa, a KDP trabalha com um conjunto restrito: JPEG, TIFF e PNG. Fora dessa lista, o arquivo tende a ser recusado mesmo que abra bem no seu visualizador de imagens. Os suspeitos mais comuns:

  • HEIC. Padrão de foto de celular. Costuma chegar sem aviso, com extensão que o sistema operacional esconde.
  • WebP, GIF e BMP. Frequentes em imagens baixadas da internet.
  • SVG e PDF. Formatos vetoriais ou de página, bons para gráfica, ruins para a plataforma.
  • PSD e outros arquivos de trabalho. Guardam camadas e modos de cor que a plataforma não interpreta.
Renomear a extensão não converte a imagem. O formato é o conteúdo do arquivo, não o nome que você dá a ele.

Esse é o erro clássico: trocar .webp por .jpg no gerenciador de arquivos e concluir que o problema era outro. A imagem continua no formato original e volta a ser recusada, agora com a agravante de parecer correta. O caminho é reexportar a partir do arquivo de origem, no programa em que a peça foi feita, escolhendo o formato certo na hora de salvar.

Dimensão e resolução: o que é conferido de fato

Existe uma confusão persistente entre dpi e pixels. Os tais 300 dpi não são uma qualidade intrínseca da imagem: são uma instrução de saída. O que define se a capa vai sair nítida é a quantidade de pixels na dimensão final de uso. Uma imagem de 800 por 500 pixels marcada como 300 dpi continua tendo 800 por 500 pixels.

As especificações publicadas pela Amazon pedem, para a capa, algo na casa de 2560 pixels no maior lado, com proporção de 1,6:1 entre altura e largura, além de um mínimo bem mais baixo, em torno de mil pixels no maior lado. O limite de tamanho do arquivo fica na casa das dezenas de megabytes. Como essas páginas são atualizadas com frequência, confirme os números na página de especificações no momento do envio — e trate os valores como piso, não como meta.

Duas consequências práticas. Primeiro: imagem pequena esticada passa pela verificação e produz uma capa borrada, o que é pior do que a recusa, porque o problema só aparece depois de publicado. Segundo: ampliar não cria informação. Se o original tem poucos pixels, o trabalho é refazer a peça, não redimensionar.

Perfil de cor, transparência e camadas

Este é o grupo que mais engana, porque o arquivo está no formato certo, tem tamanho suficiente e ainda assim não passa.

  • CMYK. É o modo de cor de impressão gráfica. A plataforma trabalha em RGB e espera o arquivo nesse espaço. Um CMYK convertido às pressas muda de cor: vermelhos e laranjas ficam opacos, azuis escurecem.
  • sRGB. É o espaço mais seguro para capa digital. Perfis amplos, como Adobe RGB, podem ser interpretados de forma diferente do que você viu na tela.
  • Profundidade. Oito bits por canal é o padrão esperado. Arquivos de 16 bits, comuns em exportações de fotografia, costumam ser recusados.
  • Canal alfa. PNG com transparência pode ser achatado contra preto ou branco, criando faixas e halos nas bordas do título. Achate antes de exportar.
  • Camadas. TIFF salvo com camadas e textos editáveis é um arquivo de trabalho disfarçado de imagem final.

Vale lembrar que o mesmo raciocínio se aplica às imagens internas do livro, estejam na capa, na abertura de capítulo ou no miolo de um ebook. Elas passam pelo mesmo crivo de formato e cor, dentro de um arquivo que, de resto, está correto.

Como corrigir antes de enviar

  1. Descubra o formato real. Nas propriedades do arquivo ou no menu de informações do sistema, confira extensão e tipo. Se os dois não coincidirem, o problema está identificado.
  2. Volte ao original. Abra o arquivo editável e exporte de novo. Use JPEG para fotografia e ilustração com degradê, PNG quando precisar de definição em áreas chapadas, TIFF quando o arquivo for grande e detalhado.
  3. Converta para RGB e achate. No programa de edição, mude o modo de cor para RGB, converta o perfil para sRGB, fixe 8 bits por canal e achate a imagem antes de salvar.
  4. Ajuste a dimensão. Redimensione com reamostragem de qualidade até atingir a medida recomendada. Nunca aumente uma imagem menor que o mínimo.
  5. Confira o peso. Veja o tamanho do arquivo em megabytes. Se estourar o limite, reduza a compressão do JPEG ou diminua a dimensão com critério.
  6. Padronize o nome. Evite acentos, cedilhas e espaços. Um nome simples, em minúsculas, elimina uma variável da equação.
  7. Revise na pré-visualização. Depois do envio, olhe a capa na miniatura e na visualização ampliada. Recorte, faixas e cores alteradas aparecem ali.

Se depois de tudo isso a recusa persistir, teste com outra imagem de dimensões parecidas, feita do zero. Isso separa definitivamente um problema do arquivo de um problema do projeto, e evita horas gastas em tentativa e erro.

Recusar uma imagem é, quase sempre, um aviso técnico chato mas útil: ele aparece antes do leitor ver o resultado. Resolver o formato, a cor e a dimensão no arquivo original custa menos do que descobrir a falha na prévia de uma capa já publicada.

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